Hospitais públicos brasileiros não atendem casos de AVC com urgência

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Uma pesquisa do Conselho Federal de Medicina mostra que três em cada quatro hospitais públicos do Brasil, não atendem pré-requisitos importantes para quem sofreu um AVC – acidente vascular cerebral isquêmico, um desses pré-requisitos é o tempo de diagnóstico do AVC para não haver sequelas no corpo.

Com muita precisão no crochê, a aposentada Patrícia Orsetti, não demonstra que teve um AVC a menos de dez meses. A mão esquerda de Patrícia perdeu um pouco da força, uma sequela considerada leve. Isso só foi possível, porque dos primeiros sintomas sentidos por Patrícia até o tempo em que ela recebeu a medicação no hospital, foram apenas três horas. “Primeiro ocorreu a identificação e logo em seguida um diagnóstico junto a medicação correta. Se eu não tivesse tomado a medicação na hora certa, não sei se eu estaria aqui para contar a história”, diz Patrícia.

O prazo adequado para se fazer o diagnóstico preciso e iniciar o tratamento do AVC é de 4 horas e 30 minutos. O acidente vascular cerebral isquêmico, também conhecido como derrame, deve ser tratado imediatamente após ter ocorrido. Uma pesquisa feita pelo Conselho Federal de Medicina, mostra que três em cada quatro hospitais públicos brasileiros, não atendem esse e outros protocolos de atenção ao AVC estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

“O hospital não tem condições de atender, pois tem uma fila de espera enorme e o paciente que sofreu AVC não pode esperar. Esse paciente deve ser atendido com urgência de exames, levado para fazer uma tomografia e se possível receber o trombolítico de imediato”, diz o neurologista, Luiz Alberto Bacheschi. O neurologista também explica que o trombolítico é uma medicação capaz de reverter o quadro nas primeiras horas.

Essa doença é a segunda principal causa de morte no Brasil e só perde para doenças cardíacas. O AVC é a doença que mais incapacita pessoas no mundo. Patrícia faz parte de uma minoria privilegiada que pode pagar pelo atendimento de saúde privado, e graças a isso hoje ela tem uma rotina independente. “Eu sinto muito medo, nós vemos casos bem tristes, então, eu me considero uma pessoa bastante privilegiada. Agora eu me cuido muito mais do que antes, mas eu tive que realmente mudar”, diz Patrícia.

O Ministério da Saúde diz que trabalha para reforçar a atenção básica, imprescindível para atender pacientes que sofreram AVC. Isso inclui as carências estruturais levantadas pelo Conselho Federal de Medicina e que para isso ocorrer, mais de 7 mil obras estão em andamento no país.

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